Violência invisível- Por > MARTHA ROCHA

Quando falamos em violência doméstica logo pensamos nas mulheres como vítimas. Mas elas não são as únicas que sofrem agressões covardes dentro da própria casa. No Brasil, crianças e adolescentes também protagonizam histórias cruéis de todo tipo de violência, permeadas de ódio e atrocidades. Eles vivem uma rotina de abusos e barbaridades que, na maioria das vezes, ficam silenciadas entre os cômodos dos lares.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), entre 2010 e 2020, pelo menos 103.149 crianças e adolescentes com idades de até 19 anos morreram no país vítimas de agressão. Do total, cerca de duas mil vítimas tinham menos de quatro anos. Os números jogam na nossa cara uma realidade difícil de aceitar e, sobretudo, de combater. As vítimas não conseguem romper o silêncio porque estão submissas ao poder de seus agressores e, às vezes, enxergam neles referências de cuidado e afeto. O medo e a culpa falam mais alto.
Neste mês de junho, quando é lembrado o Dia Internacional das Crianças Vítimas de Agressão, precisamos falar sobre o tema. Conscientizar a sociedade de que todos nós podemos e devemos ajudar. É importante que toda a população conheça os canais de denúncia e não se cale diante da violência. É necessário ainda cobrar dos governos que políticas públicas de serviços de proteção à criança e ao adolescente funcionem com eficiência.
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(*) É Pediatra e doutora em infectologia infantil

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