Pesquisa mundial mostra que maioria das pessoas apoia direito ao casamento de LGBT+ e leis contra discriminação

Pesquisa foi feita em 27 países. No Brasil, 55% dos entrevistados disseram ser favoráveis ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, e 14% são a favor de outro tipo de reconhecimento legal para esses casais. Além disso, cada vez mais adultos jovens se declaram LGBT+. Participantes marcham na Parada do Orgulho em Jerusalém na quinta-feira (3), tradicional manifestação pró-LGBTQI em Israel
Ariel Schalit/AP Photo
Uma pesquisa do Instituto Ipsos em 27 países mostra que o mundo está mais aberto em relação aos direitos da população LGBT+, mas que essa aceitação ainda não é uniforme.
A maioria das pessoas entrevistadas tem visões favoráveis ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e a leis que punam a discriminação baseada em orientação sexual ou identidade de gênero. Porém, o grau de aceitação muda conforme o país e conforme a idade.
Veja abaixo os pontos mais importantes da pesquisa Ipsos’ LGBT+ Pride 2021:
Quase metade dos brasileiros (42%) já se posicionou contra um caso de preconceito homo ou transfóbico que presenciou.
A maioria (54%) dos entrevistados no mundo apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, enquanto 16% são a favor de outro tipo de reconhecimento legal para esses casais.
No Brasil, 55% são a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, enquanto 14% apoiam outra modalidade de reconhecimento legal. Os que se opõem a qualquer tipo de status para esses casais somam 18%.
Nos EUA, tanto a maioria de eleitores do Partido Democrata (81%) quanto do Partido Republicano (64%) apoiam casamento ou outro tipo de reconhecimento legal para pessoas do mesmo sexo.
A maioria no mundo (61%) é a favor da adoção por casais do mesmo sexo. No Brasil, esse percentual chega a 69%. Nos EUA, 72%.
Cerca de 55% dos entrevistados são a favor de leis contra a discriminação das pessoas LGBT+; percentual chega a 65% no Brasil.
A maioria acredita que as pessoas LGBT+ possam ser abertas quanto a sua orientação sexual (51% no mundo, 55% no Brasil) e que atletas não heterossexuais assumam suas orientações (50% no mundo, 60% no Brasil).
Porém, uma minoria acredita que essa população possa demonstrar afeto em público (37% no mundo, 42% no Brasil) e que deva haver mais personagens LGBT+ na televisão, nos cinemas e nos comerciais (35% no mundo, 46% no Brasil).
Há uma divisão quanto à participação de pessoas trans no esporte de acordo com o gênero que se identificam: 32% a favor, 32% contra e 36% não sabem. No Brasil, a aceitação é maior: 49% das pessoas que responderam são favoráveis.
Dos 27 países incluídos na pesquisa, só a Rússia e a Malásia registraram uma maioria que se opõe a qualquer tipo de reconhecimento legal aos casais do mesmo sexo.
Isso pode ser visto no arcabouço legal desses países: a legislação russa não pune relações homossexuais, mas proíbe a “propaganda de relações sexuais não tradicionais” e não reconhece uniões civis entre pessoas do mesmo sexo. Já a Malásia criminaliza relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Ainda assim, a pesquisa Ipsos destaca que o apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo aumentou ou se manteve estável na comparação com 2013: os maiores aumentos ocorreram na Argentina, nos EUA, na Hungria, no Japão e na Itália. Desses, só Japão e Hungria não reconhecem esse tipo de união civil (saiba mais sobre a situação no Brasil no fim desta reportagem).
A pesquisa foi feita com 19.069 entrevistados com idades entre 23 de abril e 7 de maio de 2021. No Brasil, foram cerca de 1 mil entrevistados.
Mais pessoas se reconhecem LGBT+
Outro dado da pesquisa é que cada vez mais pessoas se reconhecem como LGBT+ ou assumem que têm atração por pessoas do mesmo sexo. Esse aumento fica mais evidente quando se comparam as gerações: há mais gente que se define como gay, lésbica, bissexual entre os adultos mais jovens do que entre os mais velho. Mesma coisa para pessoas que se identificam com gênero diferente do biológico.
Veja abaixo algumas das conclusões:
11% das pessoas no mundo, em média, se dizem atraídas, exclusivamente ou não, por pessoas do mesmo sexo. No Brasil, esse percentual chega a 16%.
Entre jovens da Geração Z, ou seja, que nasceram entre 1996 e 2004, o número de pessoas que se dizem atraídas por pessoas do mesmo sexo chega a 18%.
42% dos entrevistados dizem ter um amigo, um parente ou colega de trabalho gay ou lésbica. No Brasil, o percentual pula para 66%.
Qual a situação no Brasil?
Em 14 de maio de 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou a Resolução 175, que passou a garantir aos casais homoafetivos o direito de se casarem no civil. Com a resolução, tabeliães e juízes ficaram proibidos de se recusar a registrar a união.
Isso foi possível porque, dois anos antes, o Supremo Tribunal Federal (STF) criou jurisprudência ao proferir decisão favorável a duas ações que pediam o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.
Mais recentemente, em 2019, o STF permitiu a criminalização da homofobia e da transfobia. Os ministros consideraram que atos preconceituosos contra homossexuais e transexuais devem ser enquadrados no crime de racismo.
Conforme a decisão da Corte:
“praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito” em razão da orientação sexual da pessoa poderá ser considerado crime;
a pena será de um a três anos, além de multa;
se houver divulgação ampla de ato homofóbico em meios de comunicação, como publicação em rede social, a pena será de dois a cinco anos, além de multa;
a aplicação da pena de racismo valerá até o Congresso Nacional aprovar uma lei sobre o tema.
Em relação à adoção, embora não exista uma legislação sobre casais homossexuais, também não há entraves jurídicos para que essas famílias possam adotar filhos.

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