Mudanças em gestão ajudam pequenas empresas a superar crise

Guilherme Carillo levou um susto no início da pandemia. Administrador da padaria que era do bisavô, na Mooca, em São Paulo, ele viu os restaurantes para os quais fornecia pães italianos fecharem as portas. Isso não atrapalhou, porém, os planos do empresário. Guilherme e o sócio, Gabriel Carillo, foram atrás de novas oportunidades e conseguiram fazer o negócio da família crescer 40% mesmo durante o ano de crise. “A gente ficou bem assustado no começo, mas depois a gente respirou. A gente tinha uma cafeteria aqui perto, fechou lá e teve a estratégia de, em vez de demitir as pessoas, dar uma cortada em alguns dos fornecedores e começar a ter a nossa fabricação própria de antepastos, massas e alguns tipos de biscoitos italianos que a gente comprava. Isso fez com que a gente tivesse mais lucros, porque a gente tem a fabricação própria, e a gente tivesse mais qualidade”, afirmou.

Os donos da padaria também investiram nas tecnologias e serviços de delivery. Deu tão certo que agora o estabelecimento está em expansão. “Eu brinco, eu falo que a padaria é antiga, mas nós não somos, então a gente tem que estar antenado, tem que estar se modernizando, não pode parar, tem que estar ligado nas novidades e estar trazendo elas para nossos clientes, porque a concorrência no ramo alimentício é sempre muito grande”, afirmou. Segundo o último balanço da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria, no ano passado, houve queda de 3,3% no faturamento em relação a 2019. Mesmo assim, a retração é considerada pequena na comparação com outros setores. A Associação Brasileira de Salões de beleza, indica, por exemplo, que 47% dos profissionais da área estão com dificuldades de manter os empreendimentos e 5% já fecharam as portas de vez.

Doutora em administração estratégica e proprietária de dois salões, Dani Venâncio explica que a estratégia é investir em soluções que aproximem o cliente e não envolvam muitos gastos. “Tem que estar com um olhar muito focado para a gente não cair nesse aconchego que dá de que ‘ah, estamos todos na mesma situação, vamos nos abraçar e chorar’. Não, o ‘está todo mundo na mesma situação’ às vezes é uma maneira de ganhar vantagem competitiva do outro. Porque o outro está nessa onda de ‘pandemia, está ruim mesmo o mercado’, e aí tu pega, tu arregaça tuas mangas e pensa ‘tá, está ruim, mas como eu posso fazer para melhorar um pouco? Consegue fazer transformações simples, mas que dão resultado e agregam valor à experiência do cliente”, afirmou. A especialista também destaca que proximidade com a equipe do estabelecimento e planejamento prévio são essenciais.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini

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