Suu Kyi, vencedora do Nobel da Paz que está presa, comparece a tribunal pela primeira vez desde golpe em Mianmar e desafia generais

Aung San Suu Kyi, de 75 anos, está em prisão domiciliar. Os militares fizeram seis acusações contra ela. O país vive um conflito desde o golpe de Estado dado por uma junta militar em fevereiro de 2021. Manifestantes pedem libertação de Aung San Suu Kyi, maior líder política de Mianmar, durante protesto em Mandalay, em fevereiro de 2021
AP Photo
Aung San Suu Kyi, a dirigente política de Mianmar que está presa e que foi acusada pela junta militar que deu um golpe no país, compareceu nesta segunda-feira (24) pela primeira vez a uma audiência presencial em um tribunal desde que seu governo foi derrubado, em fevereiro.
Forças de segurança foram mobilizadas ao redor do tribunal, especialmente instalado na capital, Naypyidaw, para julgar a ex-chefe de Governo.
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Aung San Suu Kyi, de 75 anos, está em prisão domiciliar. Ela não havia sido vista em público desde sua detenção no dia 1º de fevereiro. Segundo sua advogada, Suu Kyi parece estar em boa saúde.
Antes da audiência, ela disse que seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND), “existirá enquanto o povo existir, porque foi fundado para o povo”, segundo a advogada.
Os generais ameaçam dissolver o partido, que venceu as eleições legislativas de 2020 por ampla maioria, alegando uma fraude na votação.
A Comissão Eleitoral, muito próxima ao regime militar, afirmou que a investigação está quase concluída.
Mais de 4.000 detidos
Aung San Suu Kyi venceu do Prêmio Nobel da Paz em 1991 por sua luta contra ditaduras militares no país. Além dela, há mais de 4.000 pessoas detidas desde o golpe.
Desde sua detenção, ela foi acusada de seis crimes diferentes. Uma das ações é pela posse de walkie-talkies. Há outras mais sérias, como a incitação da desordem pública e violação de uma lei de segredo de Estado.
Se for considerada culpada, ela pode ser banida da política e condenada a vários anos de prisão.
A próxima audiência está programada para 7 de junho, indicou Min Min Soe, que também se reuniu com o ex-presidente Win Myint, detido ao mesmo tempo que Aung San Suu Kyi.
Combates intensos entre exército e insurgentes
Desde o golpe de Estado, Mianmar vive uma situação caótica. Manifestações e greves paralisam a economia. A rebelião é reprimida com violência pelas forças de segurança, que nos últimos meses mataram pelo menos 818 civis, incluindo mulheres e menores de idade, segundo a Associação de Apoio aos Presos Políticos (AAPP).
Dezenas de milhares de pessoas do país foram obrigados a fugir ante os confrontos entre o exército e as milícias étnicas, muito ativas no país.
No domingo foram registrados combates entre os militares e uma facção, o Partido Nacional Progressista Karenni (KNPP), com sede no estado de Kayah.
O exército utilizou helicópteros e tanques contra os insurgentes. Os combates prosseguiram até a noite, segundo uma fonte do KNPP.
Quatro pessoas que estavam refugiadas em uma igreja morreram nos bombardeios, segundo um porta-voz de um grupo local que coordena as retiradas.
A repressão do exército motivou os opositores da junta militar a formar a Força de Defesa do Povo (PDF), integrada por civis que usam armas de fabricação caseira.
Ao menos 30 militares e policiais morreram no fim de semana em confrontos com as PDF no leste do país, de acordo com fontes do grupo que pediram anonimato.
O líder da junta, Min Aung Hlaing, permanece à frente do país.
Questionado sobre seus planos pelo canal Phoenix de Hong Kong, ele respondeu “não tenho ideia”.
Mas a imprensa local afirmou que o regime suprimiu o limite de idade para a aposentadoria dos generais, o que significa que ele poderá continuar no cargo depois de completar 65 anos em julho.
Min Aung Hlaing afirmou que desde o golpe morreram apenas 300 civis e 47 policiais.
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