Busca pela imunidade contra a Covid-19 impulsiona ‘turismo da vacina’

Com a lentidão nas aplicações da vacina no Brasil, agências de turismo criaram pacotes e opções avulsas para quem deseja se vacinar fora do país. A prefeitura de Nova York decidiu vacinar quem aparecer na cidade, vindo de outros estados do país ou do exterior, o que gerou uma fila de turistas. A cidade americana permite a imunização de estrangeiros, com o objetivo de movimentar o setor de turismo, um dos mais atingidos pela pandemia. A agente de viagem, Fernanda Demetrio, conta que a curiosidade está grande e alternativa é fechar pacotes para países vizinhos, a exemplo do México, pois os brasileiros ainda não podem entrar no país americano. “O brasileiro ele já tem uma procura muito grande pelos Estados Unidos, tem um interesse muito grande. Então desde que foi anunciada a vacina, lembro que no dia seguinte meu celular já estava bombando de mensagens: ‘Está rolando mesmo? Como funciona?’ Muita gente achava que o brasileiro tinha restrição. O brasileiro não tem restrição para entrar nos Estados Unidos, a restrição é de quem está no Brasil nos últimos 15 dias, que não podem entrar no Estados Unidos.”

No entanto, para o infectologista Celso Granato, essa movimentação não é eficiente para a população brasileira e no ponto de vista de alterar a imunidade de rebanho ainda não é suficiente, apenas comprova a desigualdade no acesso aos imunizantes no continente. “O impacto é pequeno, porque a gente está perto de 20% das pessoas que tomaram uma dose. Essa pessoas vão representar 0,1%, nem isso. Então não faz muita diferença. Acho que a estratégia que tem que ser diferente, a estratégia tem que ser dar um jeito de aumentar muito a produção para você distribuir essas as vacinas especialmente para os lugares que tem aparecido muitas variantes, Brasil, África do Sul, Índia, que aí você consegue cortar esse processo. Vacinar pouca gente, turista, isso não tem impacto na dinâmica da epidemia”, afirma. Apesar da redução do número de casos nos Estados Unidos e no Brasil, os países ainda são os que registram mais óbitos causados pelo coronavírus.

*Com informações da repórter Juliana Tahamtani

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