Ataque armado a bares no Peru deixa mortos; Forças Armadas atribuem autoria à guerrilha Sendero Luminoso

Massacre deixou ao menos 14 mortos, inclusive duas crianças. Assassinatos ocorrem a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais. Massacre no Peru – MAPA
G1 Mundo
Autoridades do Peru investigam nesta segunda-feira (24) um assassinato em massa ocorrido no domingo em dois bares em um vale de cultivo de coca em Vizcatán del Ene, no centro do país. O Comando Conjunto das Forças Armadas atribuiu o assassinato à facções próximas da guerrilha Sendero Luminoso, que iniciou a luta armada nos anos 1960 em se envolveu e atentados nos anos 1990.
O massacre ocorre a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais no Peru, em que a direitista Keiko Fujimori enfrenta o esquerdista Pedro Castillo (leia mais sobre esse contexto no fim da reportagem).
O número exato de vítimas não está claro: os militares peruanos falam em 14 mortos, mas o Ministério Público diz que 18 morreram. Entre as vítimas, estão duas crianças. Não se sabe o motivo de os assassinos terem escolhido esses alvos.
O prefeito de Vizcatán del Ene, Alejandro Atao, e o juiz de paz Leonidas Casas contaram à polícia que, após serem alertados por vizinhos, foram até os bares, onde encontraram os corpos.
“Na área de caixa dos estabelecimentos, foi observada uma fumaça que vinha de quatro corpos, entre eles o de duas crianças carbonizadas, irreconhecíveis”, indica um relatório policial.
De acordo com as Forças Armadas, foram encontrados no local do crime panfletos ordenando à população que não participe do processo eleitoral. Uma das frases escritas nesses panfletos diziam: “Limpar o Vraem [região onde ocorreu o ataque] e o Peru dos antros do mal viver, dos parasitas e corruptos”. O autor também pedia o voto em branco e chamava eleitores de Keiko Fujimori de “traidor” e “assassino”.
Ainda segundo os militares, o ataque foi ordenado por uma coluna senderista comandada por Víctor Quispe Palomino, que tem a alcunha de “Camarada José”. A maior parte dos líderes do Sendero Luminoso está presa, e essas lideranças atualmente detidas disseram que não têm relação com facção de Quispe nem com o narcotráfico, que exerce força na região onde os criminosos fizeram o massacre.
O presidente Francisco Sagasti lamentou oque chamou de “ação terrorista” e anunciou o envio de militares e de policiais à região.
“Em nome do governo de transição e de emergência, expresso minhas condolências aos familiares das vitimas”, disse.
Massacre nas vésperas das eleições
Pedro Castillo e Keiko Fujimori
Vidal Tarqui/Reuters e Sebastian Castaneda/Reuters
As frases escritas nos panfletos pedindo o voto nulo e chamando de “traidor” os eleitores de Keiko Fujimori aumentam a tensão a menos de duas semanas para o segundo turno das eleições presidenciais peruanas, marcadas para 6 de junho.
Em resposta, Pedro Castillo — que chegou a ser apontado por opositores como alguém ligado aos guerrilheiros — pediu prisão aos assassinos deste fim de semana. Ele aparece na frente nas pesquisas mais recentes.
“Condeno abertamente como homem do campo, como professor, a atitude covarde de algumas pessoas que abusam do povo em um cenário político”, criticou o candidato de esquerda durante comício nesta segunda.
“Peço à Polícia Nacional que investigue imediatamente e encontre o paradeiro dos responsáveis. E que dê a essas pessoas o peso da lei. Que caia sobre elas o peso, venha de onde venha, seja quem seja”, acrescentou Castillo.
Os dois candidatos participaram de debate na noite de domingo. Até a última atualização deste texto, Keiko não havia se pronunciado nas redes sociais sobre os assassinatos.
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