EUA começarão a reunir famílias migrantes separadas no governo de Donald Trump

Não está claro quantas crianças ainda estão longe de seus pais, mas estima-se que sejam cerca de mil. O governo não esclareceu se as famílias terão permissão para residência legal nos EUA. Grupo de imigrantes detidos na cidade de El Paso, no Texas, em março de 2021
Justin Hamel/AFP
Algumas das famílias de migrantes separadas durante o governo do ex-presidente republicano Donald Trump nos Estados Unidos vão começar ser reunidas nesta semana, anunciou nesta segunda-feira (3) o secretário do Departamento de Segurança Interna (DHS), Alejandro Mayorkas.
Mayorkas informou que quatro mães que fugiram de “situações extremamente perigosas em seus países de origem” serão reunidas com seus filhos depois de serem separados na fronteira entre os Estados Unidos e o México.
Veja uma reportagem de 2018 sobre a política de Trump de separar famílias de imigrantes.
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A administração de Joe Biden estabeleceu uma equipe dedicada para rastrear as famílias e reuni-las, chefiada pelo próprio secretário.
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Mayorkas é o primeiro latino e o primeiro imigrante a chefiar este Departamento, que trata, entre outras tarefas, da segurança nas fronteiras.
Segundo a mídia americana, duas das famílias beneficiárias são uma mãe mexicana e uma mãe hondurenha que foram separadas dos filhos no final de 2017. Algumas das crianças que se reunirão tinham apenas três anos quando foram separadas.
Política de separação de famílias
A política de “tolerância zero” de Trump sobre a imigração irregular começou a ser aplicada em 2017 e foi formalmente anunciada em 2018. Ao separar famílias (a maioria de centro-americanos fugindo da violência), o governo republicano procurava dissuadir os migrantes a iniciar a jornada para o norte.
Sua implementação, que estima ter afetado cerca de 5.000 menores de idade, foi suspensa devido a uma onda de indignação nacional e global. Não está claro quantas crianças ainda estão longe de seus pais, mas estima-se que sejam cerca de mil.
A administração Trump guardou arquivos incompletos e pouco fez para cooperar com as organizações que tentaram reunir as famílias com seus filhos.
Os poucos dados disponíveis decorrem principalmente de ações judiciais que tentaram rastrear pais que foram deportados para longe de seus filhos que permaneceram nos Estados Unidos.
Muitas são originárias de áreas rurais e comunidades localizadas em zonas montanhosas de difícil acesso, tarefa logística também complicada pela pandemia e pelos dois furacões que assolaram a América Central durante o outono boreal.
Barreiras culturais
Anos após a separação, os pais enfrentam potenciais barreiras culturais e linguísticas com os filhos que podem ter vagas lembranças deles.
O governo não esclareceu se as famílias terão permissão para residência legal nos Estados Unidos.
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