Com o avanço da pandemia no Brasil, viajar para o exterior ainda não é uma opção

Passagens, hotel, passeios: estava tudo programado para Patrícia e o marido, Matheus, irem para os Estados Unidos neste ano. Na internet, o casal é conhecido por dar dicas de destinos petfriendly, ou seja, que aceitam os bichinhos de estimação. Essa seria a primeira viagem internacional deles com os dois cachorros, mas a programação vai ter que ficar para outro dia, como explica Patrícia. “A gente já tinha feito dois anos planejando essa viagem, vendo temperatura para não ir nem muito quente, nem muito frio por causa deles, uma época mais tranquila, que não tivesse muito movimento. E a gente teve que esperar até o último segundo para ver se teríamos que cancelar. A gente fala que não cancelou, nós adiamos esse sonho, só que sem saber quando vamos poder fazer”, relata. Os Estados Unidos são apenas um dos países fechados para passageiros do Brasil. Atualmente, só sete nações recebem os brasileiros com pouca ou nenhuma restrição: Afeganistão, República Centro Africana, Albânia, Costa Rica, Macedônia do Norte, Nauru e Reino do Tonga.

Por isso, para quem quer viajar, a dica da professora de lazer e turismo da Universidade de São Paulo (USP), Mariana Aldrigui Carvalho, é fazer um planejamento pra conhecer lugares dentro do Brasil. “Se possível, marcar viagem mais próximas, que sejam muito centradas nas suas decisões. Então o seu veículo ou um veículo alugado, hotéis ou pousadas ou casas de aluguéis próximas e que você tenha alguma gestão do tempo que você vai ficar. Em caso de mudança de planos, você volta relativamente rápido. Você vai tentar se organizar em relação a destinos onde não haja aglomeração e possivelmente onde você tenha um pouco mais de controle e, como turista, também não ofereça risco.”

Em 2020, segundo dados da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo, só 140 mil brasileiros viajaram para fora do país, o que corresponde a 4% no total de viagens. Do total de turistas embarcados, mais de 3 milhões foram para destinos dentro do Brasil, 96% do total.  O vice-presidente da BRAZTOA, Frederico Levy, afirma que apesar da queda de faturamento, que foi de 67%, as agências de turismo seguem trabalhando em muitas remarcações. “Tem viagens que já estavam marcadas e estão sendo remarcadas, tem uma série de cosias que a gente está trabalhando, faturamento logicamente reduzido, mas muitas atividades para dar sequência no atendimento”, comenta. O Ministério da Saúde do Brasil pede que viagens internacionais sejam realizadas apenas em caso de necessidade; a orientação é a mesma para o território nacional. Caso seja inevitável viajar, é necessário reforçar os hábitos de higiene e de proteção, além de usar máscara.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini

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