Restaurantes, hotéis e salões de beleza devem liderar contratações no pós-pandemia

Os setores da economia que mais sofreram com as medidas de restrição impostas para diminuir a propagação do novo coronavírus devem liderar o movimento de contratações com a volta ao “velho normal” após a vacinação em massa da população, projetada para o fim deste ano. Com a proibição dos encontros presenciais, operações que vão desde salas de cinema até viagens de avião, passando pelos bares, restaurantes, produção de espetáculos musicais, feiras de negócio, salões de beleza e toda a enorme lista de ocupações que implicam em uma pessoa ficar próxima da outra, ficaram praticamente inviáveis. Dados do Ministério da Economia sobre o mercado formal mostram que a prestação de serviços foi, de longe, o segmento econômico mais afetado pelo controle a circulação de pessoas e operação de estabelecimentos. Entre março e junho de 2020 — o pior momento para o mercado de trabalho durante a pandemia —, o país teve saldo de 1.637.815 postos de trabalho formais fechados a mais do que abertos. Somente o setor de serviços contribuiu com 761.606 demissões a mais do que contratações, quase a metade do total registrado.

A liderança desses setores na abertura de vagas está relacionada justamente ao fato de eles também estarem na ponta do índice de demissões, segundo a economista e professora do Insper Juliana Inhasz. “Vai crescer muito porque caiu muito. Não é um crescimento pautado na retomada ampla da economia, mas sim para recuperar essa dinâmica perdida durante a pandemia”, afirma. “Tudo que está ligado ao consumidor deve se beneficiar nesse momento e veremos um aumento de contratações em restaurantes, bares, hotéis, setor de beleza e tudo mais que ficou desativado durante tanto tempo.” O ensaio dessa retomada já pôde ser visto com a flexibilização das atividades a partir do segundo semestre do ano passado com o crescimento constante da geração de empregos até dezembro, mês que tradicionalmente registra queda nas contratações. O começo de 2021 também parecia promissor. Em janeiro deste ano, o setor de serviços fechou com saldo de 167.932 contratações, ante 30.551 no mesmo mês de 2020. Em fevereiro, novo saldo positivo com 167.932 vagas formais neste ano contra 124.398 em 2020. Em março, com a volta das restrições, o setor perdeu fôlego, mas ainda registrou 95.553 contratações a mais do que demissões. O recorte por setores, no entanto, mostra a perda de 28.575 vagas em estabelecimentos de alojamento e alimentação, os mais prejudicados por esta nova onda de restrições.

As áreas que lidam com tecnologia também são promessas para este ano, já que o setor cresceu ainda mais em meio à pandemia com a digitalização de diversos serviços. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) referentes a 2020 mostram que o setor pode ter 260 mil vagas disponíveis até 2024 caso não haja avanços na produção de novos profissionais. Renan Pieri, economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que a pandemia vai impactar negativamente no setor ao aumentar ainda mais os desafios para a formação de trabalhadores capacitados. “Teremos um mercado de trabalho com muita gente sem formação, e setores como tecnologia, que exigem profissionais qualificados, não terão quem contratar. É preciso incentivar as pessoas a voltarem para a escola e completar o ciclo de formação.”

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