Polícia cubana impede simpatizantes de ver artista dissidente em greve de fome

Luis Manuel Otero Alcántara, 33, cumpre greve de fome há uma semana, sozinho em sua casa. Seu objetivo é denunciar o confisco de suas obras por agentes de segurança. Imagem de divulgação mostra o artista cubano Luis Manuel Ancantara no sexto dia de greve de fome, em 30 de abril de 2021
Katherine Bisquet / AFP
Dezenas de pessoas de Cuba foram impedidos por agentes de segurança de chegar à casa do artista dissidente Luis Manuel Otero Alcántara, que está em greve de fome, na sexta-feira (30).
Algumas pessoas foram presas, segundo um vídeo divulgado nas redes sociais pelo Movimento São Isidro (MSI).
Otero Alcántara, 33, cumpre greve de fome há uma semana, sozinho em sua casa, no bairro de San Isidro, na Havana. Seu objetivo é denunciar o confisco de suas obras por agentes de segurança.
O canal estatal Noticiero Nacional de Televisión acusou o MSI, coletivo de contestação formado por artistas e universitários, de tentar manipular a situação politicamente. O veículo afirma que Otero recebeu instruções do exterior para fazer a greve de fome. O canal também diz que o artista é financiado pelo think tank Instituto Nacional Democrata, com sede em Washington.
Ramón Suárez Polcari, chanceler da arquidiocese de Havana disse à AFP que à tarde conseguiu entrar na residência de Otero e tentou convencê-lo a desistir da greve, sem conseguir.
“Foi ele quem abriu a porta e nos sentamos para conversar, parecia um pouco esgotado, é lógico”, disse ao assinalar que conversaram por cerca de uma hora.
Amaury Pacheco, membro do MSI, havia dito em uma rede social que Otero não conseguia ficar de pé, “não urina e não fala”.
As imagens divulgadas mais cedo mostram policiais indo atrás de um homem com um cartaz, e um grupo de pessoas que pede para ver Otero Alcántara enfrentando policiais e agentes à paisana para evitar a prisão de companheiros. Os simpatizantes do artista tentavam se aproximar de sua residência para verificar seu estado de saúde.
No mesmo bairro, integrantes e simpatizantes do MSI se reuniram meses atrás, o que deu lugar a uma manifestação de 300 artistas e intelectuais para pedir liberdade de expressão, algo inédito na ilha.
O Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho dos Estados Unidos publicou uma mensagem em uma rede social na qual afirma que “dezenas de artistas, jornalistas e ativistas cubanos detidos, sob vigilância ou confinados para silenciar seu apoio a Alcantara”. A mensagem foi compartilhada pela embaixada americana em Havana.
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