Com vacinação lenta e UTIs cheias, França passa de 100 mil mortes por Covid-19


Números ainda altos preocupam o governo francês, que pretendia iniciar reabertura já em maio. Paciente recebe tratamento contra a Covid-19 em UTI no leste de Paris, na França, nesta quinta-feira (15)
Anne-Christine Poujoulat/AFP
A França atingiu nesta quinta-feira (15) a triste marca de 100 mil mortes por Covid-19 em um momento em que as UTIs estão cheias e a vacinação contra o coronavírus ainda patina.
É o segundo país da União Europeia a chegar a tal número de vítimas do coronavírus, depois da Itália. O Reino Unido, que deixou o bloco, e a Rússia, que tem território em dois continentes, têm os piores números da Covid-19 na Europa, em dados absolutos. Países como Bélgica e Portugal registram taxas maiores de mortalidade per capita.
“Pensamos em todas essas famílias, as pessoas próximas a elas, os filhos que perderam um dos pais ou o avô, todos aqueles irmãos de luto, aqueles amigos perdidos”, relembrou o presidente Emmanuel Macron em um tuíte.
Presidente da França, Emmanuel Macron, durante visita a médicos em Reims na quarta-feira (14)
Christian Hartmann/Pool/AFP
“E enquanto toda a nossa energia é direcionada para sair desta crise, não vamos esquecer nenhum rosto, nenhum nome”, acrescentou.
Com a terceira onda em patamares preocupantes, a França decretou no fim de março medidas de confinamento mais rígidas. A intenção era flexibilizá-las já em maio, mas, com os números ainda muito altos, existe a possibilidade de que o isolamento se prolongue (leia mais no fim da reportagem).
UTIs cheias e vacinação lenta
Paciente com Covid-19 recebe tratamento em hospital no leste de Paris nesta quinta-feira (15)
Anne-Christine Poujoulat/AFP
Atualmente, cerca de 6 mil pacientes com Covid recebem tratamento em unidades de terapia intensiva (UTI), obrigando o adiamento de cirurgias não urgentes. É a primeira vez desde abril de 2020 que essa taxa de ocupação de leitos na UTI foi atingida.
Com números ainda em alta, o governo admite que a situação ainda deve piorar antes de melhorar.
“Não atingimos o pico de hospitalizações, o que significa que ainda temos dias muito difíceis pela frente”, lembrou o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, na quarta-feira.
Some-se a isso um ritmo ainda lento da imunização. Houve uma aceleração nos últimos dias, mas a campanha de vacinas ainda sofre com atraso na entrega das doses da Johnson & Johnson e com os alertas com o imunizante da AstraZeneca sobre formação de coágulos — embora extremamente raros e com números mostrando que os benefícios superam largamente os riscos.
Profissional de saúde prepara dose de vacina da Pfizer/BioNTech em Montpellier, na França, nesta quinta (15)
Pascal Guyot/AFP
Segundo dados oficiais, 11,6 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose de uma das vacinas disponíveis contra Covid-19 na França, o que corresponde a 22,1% da população adulta; e 4,1 milhões receberam duas doses. O governo estabeleceu a meta de chegar a 20 milhões de vacinados até meados de maio.
Há, ainda, a preocupação com variantes potencialmente mais contagiosas — caso da britânica, que predomina na França, e da P1, que fez o país restringir voos com o Brasil. Veja no VÍDEO abaixo.
VÍDEO: Primeiro-ministro francês cita uso de cloroquina no Brasil para rebater deputado e provoca risos
Flexibilização sob risco
Este contexto sombrio levanta dúvidas sobre a possibilidade de flexibilização das restrições em meados de maio, data que Macron fixou para uma reabertura progressiva, com controle rigoroso, das áreas externas de restaurantes e cafés, fechados desde o fim de outubro.
Neste momento, ainda valem as restrições estabelecidas no fim de março: a população não pode sair depois das 19h ou se deslocar, a qualquer momento, a mais de 10 quilômetros de suas casas, exceto por motivos de trabalho ou médicos. Jardins de infância, escolas primárias e secundárias estão fechados até 26 de abril, no mínimo, assim como lojas não essenciais.

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