Economia brasileira mostra certa resiliência durante o pior momento da pandemia

Eu já mencionei em colunas anteriores que um dos grandes pontos positivos dessa crise foi a admirável capacidade de adaptação do brasileiro, das empresas brasileiras. A evolução solicitada na digitalização, na reinvenção dos pequenos empresários, é realmente algo para se comemorar. Os dados econômicos já começam a mostrar isso. Por exemplo, assim que tivemos o anúncio de necessidade de isolamento social a partir da chegada do coronavírus no Brasil, os indicadores de confiança despencaram. O índice de confiança do empresariado saiu dos satisfatórios 100 pontos, em fevereiro de 2020, para o vexatório 50,3, em abril de 2020; e após voltar a patamares históricos entre o terceiro e quarto trimestre do ano passado, nesta segunda onda de contágio que assola o Brasil de forma muito mais agressiva caiu, modestamente, para 83,2 pontos. 

Movimento parecido ocorreu com o indicador de incerteza da economia, que ano passado chegou ao maior patamar da série histórica de 20 anos (ou seja, alcançou o maior nível de incerteza). Nestes últimos meses, nem se abalou. O brasileiro se acostumou com a crise ou a economia está mais resiliente. Nesses termos, o mais afetado mesmo tem sido o consumidor. A confiança do consumidor mostrou claro abalo em março, chegou a 70 pontos, fruto do recrudescimento da pandemia e consequentes medidas de isolamento social. Aqui habitam autônomos que nesses momentos veem suas rendas quase zerarem, assim como os que pensavam em consumir ou tomar crédito para algo mais ousado. Recuam imediatamente por temor de desemprego. Sim, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. 

Porém, embora nesta coluna exalto a aparente resiliência da economia brasileira, acho muito cedo dizermos que ela não será abalada no primeiro semestre deste ano. Sobretudo porque não sabemos quanto tempo essa situação de “piora da pandemia/colapso no sistema de saúde/medidas mais intensas de isolamento social” pode perdurar. Primeiro que, mesmo com essa leitura de uma não piora tão contundente quanto em abril/maio do ano passado, ainda assim há um agravamento das condições de confiança que serão vistos em menos PIB do que em trimestres anteriores. Segundo que a economia já está(va) enfraquecida, então, qualquer empurrão é o suficiente para uma queda. E terceiro: quanto mais atrasar a vacinação, pior o quadro econômico. 

As projeções de crescimento econômico para 2021 ainda estão otimistas, na minha opinião; e de fato, semana a semana, vêm desacelerando. Ontem, a pesquisa Focus do BCB mostrou expectativa de PIB para 2021 em 3,17%, e esta foi a quinta semana consecutiva de queda das expectativas. Essa visão também começou a ser transferida para 2022, que agora está em 2,33%. Até onde esse movimento vai? Talvez não tão para baixo, pois o brasileiro, povo “raçudo”, desenvolveu resiliência para enfrentar a crise, mas tampouco me animaria com números de forte recuperação. Ainda temos que lidar com as consequências pós-crise… Listei isso na edição da semana passada. Seguimos dependendo da vacinação. Meu indicador de confiança pessoal caiu muito e está bastante relacionado ao calendário de vacinas. E o seu?  

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