Sob pressão do centrão, Bolsonaro dá posse a Queiroga em cerimônia discreta fora da agenda

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu posse, no final da manhã desta terça-feira (23), ao novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga.

Por causa de pressão do bloco do centrão, a cerimônia ocorreu no gabinete da Presidência da República, sem a presença de convidados e da imprensa e sem constar na agenda oficial.

A decisão se deveu ao movimento iniciado desde o final de semana por integrantes do centrão de convencer o presidente a indicar outro nome para o posto.

No meio da tarde, foi publicada uma edição extra do “Diário Oficial da União” com a exoneração do general Eduardo Pazuello e a nomeação de Queiroga.

O remanejamento de Pazuello para o comando do PPI (Programa de Parcerias e Investimentos), porém, ainda não havia sido publicado até a última atualização desta reportagem.

Com a demora de Queiroga em se desvincular de uma clínica da qual era sócio, o bloco partidário chegou a sugerir a ministros palacianos que reconsiderassem as indicações dos deputados federais Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ), o Doutor Luizinho, e Ricardo Barros (PP-PR).

Além disso, segundo assessores palacianos, a posse às pressas também teve como objetivo evitar cobranças das cúpulas do Legislativo e do Judiciário em reunião marcada para quarta-feira (24).

A falta de uma definição em meio à escalada de mortes é uma das reclamações que seria levada ao encontro pelas cúpulas do Congresso Nacional e do STF (Supremo Tribunal Federal).

A decisão de fazer uma posse discreta não foi bem avaliada por integrantes do próprio governo, sobretudo da cúpula militar. A avaliação deles é de que Bolsonaro deveria ter aproveitado a cerimônia para sinalizar uma mudança de postura do governo federal em relação à crise de saúde.

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