O turismo está de volta. Só faltam os turistas, revela revista

De várias praias do município de Aquiraz, na região metropolitana da capital cearense, é possível ouvir os gritos – mesmo que distantes – dos turistas que encaram o maior tobogã do mundo, chamado de Insano, principal atração do parque aquático Beach Park. Com 41m de altura, a queda leva apenas 5 segundos e atinge velocidade de 105 km/h. Aqueles que não gritam, segundo os funcionários que organizam as filas, é porque perdem o fôlego. Há mais de 100 dias, no entanto, tão insano quanto o brinquedo é o cenário vivido pela empresa. No resort que recebeu quase 1 milhão de visitantes no ano passado só se ouve o sopro dos ventos típicos do litoral do Nordeste.

Com faturamento zero e completamente fechado desde março em razão da pandemia, a companhia demitiu 400 dos 2,2 mil funcionários, suspendeu o contrato de trabalho de 50% dos que permaneceram, renegociou com fornecedores e chamou para uma conversa cordial os clientes que já tinham férias programadas e pacotes comprados. “Para equacionar o fluxo de caixa e manter as condições de voltar a operar depois da pandemia, nós pedimos, e recebemos, a compreensão de parceiros e clientes”, afirma Murilo Pascoal, CEO do Beach Park. “O índice de cancelamentos ficou muito baixo e, com isso, conseguimos nos dedicar à definição de uma estratégia de retomada das atividades.”

A hora de recomeçar está, enfim, chegando. As autoridades do governo do Ceará deram sinal verde para que o complexo volte a funcionar a partir do dia 20 deste mês, sob uma rígida cartilha de segurança sanitária para funcionários e visitantes. O Beach Park, no entanto, avalia como e quando a reabertura total será feita. O que está certo é que a volta não terá a mesma velocidade de seus tobogãs. A empresa elaborou um minucioso protocolo sanitário em parceria com a Associação Internacional de Parques e Atrações de Diversões (IAAPA), que define desde distanciamento entre as pessoas até que tipo de desinfetante será utilizado na limpeza das bóias da piscina. O objetivo é que todos os procedimentos sigam padrões internacionais, dentro de uma política de tolerância zero para erros.

Inicialmente, com apenas 40% de disponibilidade de ocupação dos quartos, dezenas de equipamentos de luz UV serão utilizados para esterilizar malas e dormitórios do complexo. Restaurantes e áreas de grande circulação de pessoas serão constantemente nebulizadas com tecnologia nanotech, que cria uma película protetora nas superfícies. Os cardápios impressos darão lugar a pedidos de forma digital, acessados via QR code. Até mesmo a reserva de mesa deverá ser feita através do aplicativo Get In, sem contato com concierge ou garçons. Com isso, a empresa obteve o selo Safe Travels, concedido pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC). A certificação endossa protocolos de higiene e limpeza para prevenção e controle e infecções, como a Covid-19. “Fizemos o que tinha de ser feito para garantir total segurança aos visitantes quando retomarmos as atividades”, diz Pascoal. “Mas sabemos que a volta dos turistas será lenta e gradual.”

Para tentar resgatar a confiança dos turistas, as cinco principais entidades do setor (Abav, Abracorp, AirTkt, Braztoa e Clia Brasil) se uniram ao Ministério do Turismo na elaboração de um conjunto de medidas de biossegurança para que não apenas os hotéis, mas também as agências, possam retomar as atividades nas lojas físicas, atendendo às recomendações sanitárias necessárias à interação de funcionários e clientes. Com o lançamento do selo de biossegurança, as entidades da indústria começam a divulgar suas próprias medidas para a reabertura das empresas e reinício das atividades. “A retomada só vai começar, de fato, quando as pessoas voltarem a se sentir seguras em viajar. Vemos esse movimento em destinos que estão adiante de nós nesse sentido”, diz a presidente da Abav Nacional, Magda Nassar. “Com esse protocolo de medidas demos um passo importante para que nossas agências estejam preparadas para a reabertura.”

Fonte: Hugo Cilo (Revista IstoÉDinheiro)

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