Ciro sobre impeachment: “Bolsonaro está se desmoralizando”

Três vezes candidato a presidente da República, Ciro Gomes se prepara para tentar mais uma vez. Ele acaba de lançar olivro Projeto nacional: o dever da esperança, no qual analisa problemas estruturais do Brasil e apresenta propostas e que funcionará como um guia na caminhada até a próxima campanha nacional, daqui a cerca de dois anos.

Questionado sobre o atual momento da política brasileira, ele afirma que “o que levou o Brasil a esse fundo do poço foi a decepção da esmagadora maioria da opinião pública com as práticas corruptas e a desastrada gestão econômica do PT” e defende um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro.

“A parte jurídica está sustentada […] Porém o aspecto político ainda não está dado. Bolsonaro ainda tem um terço do apoio popular e as região Sul e Sudeste do país. Enquanto estiver assim, é improvável que o Congresso Nacional reúna dois terços dos votos contra ele. Mas é um processo que está em elaboração”, afirma.

Filiado ao PDT, que tem em Leonel Brizola sua referência máxima, Ciro defende um Estado brasileiro que estimule o desenvolvimento da indústria nacional para superar a dependência da exportação de commodities minerais e agrícolas, produtos sujeitos a muita variação de preço, associada à volatilidade política e econômica no país.

Para executar seu plano, Ciro reconhece que o Brasil não teria condições de se endividar mais, mas tampouco deve alimentar a “ilusão” de que a salvação virá por meio de investimentos estrangeiros – aposta do atual ministro da Economia, Paulo Guedes.

O caminho, diz, é fazer uma reforma tributária que inclua a cobrança de imposto sobre a distribuição de lucros e dividendos, aumente a alíquota na transmissão de heranças e reduza as renúncias fiscais concedidas pelo estado, entre outras medidas que, segundo ele, dariam ao governo um extra de 3 trilhões de reais em dez anos.

Idealmente, o pedetista diz que a cobrança de mais impostos dos mais ricos seria compensada com a redução dos tributos sobre os mais pobres. Contudo, devido ao rombo fiscal aberto pelas políticas públicas para minimizar o impacto da pandemia da covid-19, ele afirma que não é o momento de abrir mão de qualquer tipo de receita – ou seja, haveria aumento da carga tributária total.

O estado, então, começaria priorizando quatro setores nos quais o Brasil teria hoje alguma “vantagem comparativa”: petróleo, gás e bionergia; complexo da saúde; agronegócio e defesa. Ele também aposta no estímulo às fintechs (empresas de tecnologia que atuam como bancos) e na redução de juros pelo Banco do Brasil e pela Caixa para combater a concentração bancária, segundo ele um dos obstáculos mais graves ao desenvolvimento brasileiro.

Questionado se não corre o risco de cometer os mesmos erros da ex-presidente Dilma Rousseff, que emprestou dinheiro para empresas a juros subsidiados e injetou verba pública em companhias que deveriam ser “campeãs nacionais”, Ciro rechaça a comparação. “O que a gente viu [no governo Dilma] foi clientelismo e corrupção. A corrupção foi absolutamente orgânica no governo do PT”, afirma.

Ele também não economiza críticas a Lula, que segundo ele se beneficiou de um ciclo favorável das commodities para criar um “nacional-consumismo” sem olhar para a produção brasileira e “ficou tão forte e tão popular que se corrompeu”. “O resultado é que chegamos a um patamar de consumo insustentável, que logo mais quebrou o Brasil”, diz.

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